sexta-feira, 10 de junho de 2011

Lembra dela? Blog entrevista jornalista Cláudia Ramos



Você se lembra dela? Quem gosta de esportes e mora em São Paulo, logo vai associar a imagem da bela jornalista com o futebol. Pelo menos, foi o que aconteceu comigo. Com 25 anos de carreira, Cláudia Ramos já passou por várias emissoras de TV aberta. Na capital paulista, sua última casa foi a TV Gazeta, na qual fazia reportagens esportivas que iam ao ar nos programas "Mesa Redonda Futebol em Debate" e "Gazeta Esportiva".

Cláudia Ramos é formada pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso, na "Cidade Maravilhosa". Tem especialização em Marketing em Mídias Digitais. Hoje, escreve para algumas revistas femininas e faz trabalho de assessoria. Mas ela ainda tem vontade de voltar à telinha. E vive na ponte aérea entre sua terra natal e a "Terra da Garoa".

No bate-papo, a jornalista admite que o trabalho é árduo e que é difícil conciliar família e carreira. Entre os sonhos profissionais, está o de cobrir uma guerra! Algo que muitos jornalistas temem. Dona da própria rotina, ela já se emocionou na cobertura dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. Quem não se emocionaria? Confira a entrevista.

Leandro Martins - O que achou do curso de graduação quando estudou jornalismo?
Cláudia Ramos - Muito bom, com ótimos professores. Tive aulas com Carlos Henrique Schreder, hoje diretor da TV Globo. Dá um bom embasamento teórico, mas o ideal é que a pessoa busque estágio imediatamente, porque o mercado é muito competitivo.

LM - Você acredita que a faculdade prepara bem uma pessoa para o mercado de trabalho?
CR - Não. Jornalismo depende de duas coisas: paixão pela notícia e experiência.

LM - Em quais empresas de mídia já trabalhou?
CR - Comecei no Jornal do Brasil (86-90), fui para a Folha de S. Paulo (90), depois voltei para o JB (cobri os Jogos Olímpicos de Barcelona - 92). Mais tarde, mudei-me para SP onde fiz minha estréia na TV Gazeta, no esporte. Fiquei até 2000, quando voltei para o Rio. Então trabalhei na Band (jornal local e de rede); Record (jornal de rede e Cidade Alerta) e SBT (jornal local e de rede). Paralelo a isso, escrevo para revista desde que comecei no jornalismo. Escrevi para a Capricho, NOVA, ELLE, MArie Claire e atualmente escrevo para CLAUDIA e RG (da Carta Editorial). Ganhei dois prêmios Abril de jornalismo.

LM - Onde está trabalhando hoje?
CR - Faço monitoramento de mídias sociais e marketing em mídias sociais. Continuo escrevendo para revistas femininas e sou repórter da TV interna do HSBC, além de ser assessora de imprensa da Sociedade Brasileira de Mastologia.

LM - Como é sua rotina? Que horas você entra? Tem hora pra sair?
CR - Tenho o privilégio de fazer a minha própria rotina.

LM - Ainda está no esporte? O que já fez fora do esporte?
CR - Não, não cubro mais esporte. Agora, só acompanho, até porque meu filho é fanático por futebol. Sabe tudo rs (é carma; bom, pelo menos é flamenguista)

LM - Já foi setorista de um clube? Como é essa experiência?
CR - Na Tv Gazeta não havia setorista, mas eu costumava cobrir mais o São Paulo e a Portuguesa. É interessante, mas, na época em que eu cobria ainda havia poucas repórteres e o preconceito era grande. E sendo jovem, era mais dificil conseguir fontes ou fazer com que os jogadores se abrissem. Mas consegui boas entrevistas exclusivas, uma delas foi com o Edmundo, em uma fase em que ele havia brigado com a mídia paulistana e ele topou dar uma exclusiva para mim. Foi bem bacana.

LM - Alguns jornalistas tornam-se amigos de fontes pela convivência. Você acredita que o jornalista ser amigo da fonte ajuda ou atrapalha o trabalho? Em que sentido?
CR - É complicado. Costumo dizer que jornalista não é amigo, por que qual a imparcialidade que ele vai ter ao saber de um furo que não seja positivo para o "amigo"? Ele vai publicar? Complicado. O ideal é ter um bom relacionamento, mas sem intimidade. Pode-se muito bem conseguir bons furos sem 'misturar' os canais; basta ter credibilidade e trabalho.

LM - Você já se sentiu alvo de perseguição no meio? Sentiu-se traída?
CR - Não, todos sempre me trataram super bem. O mais bacana é que eu pedia ajuda aos "meninos" que cobriam futebol para que meu texto ficasse masculino rs porque falar de futebol para homens não é fácil. E todos, sem exceção, sempre me ajudaram muito.

LM - Como é cobrir um grande evento como a Copa do Mundo e as Olimpíadas?
CR - Nunca cobri Copa, mas cobri uma Olimpíada (em 92/Barcelona) e outras na redação. Eu pensava que entendia de esporte até cobrir uma Olimpíada. Eram tantos atletas, tantas modalidades... fantástico! Estava lá quando o Aurélio Miguel ganhou a medalha - apesar de eu não ter feito a matéria -  e foi lindo demais. Ver um brasileiro subir no pódio e o hino tocar. Chorei que nem criança de emoção. (Nota do blog: Aurélio Miguel é ex-judoca e hoje vereador por São Paulo pelo PR. Ganhou ouro nas Olimpíadas de Seul em 1988 e foi bronze em Barcelona, em 1992.)

LM - Como vê a guerra pela transmissão do futebol brasileiro em 2012? Acha certo um regime monopolista?
CR - Claro que não! Todos deveriam ter o direito de transmissão com parcelas proporcionais.

LM - Para os estudantes de jornalismo ou jornalistas recém-formados que pensam que o jornalismo é só televisão, o que tem a dizer? E o que falaria para aqueles que pensam que não vão trabalhar muito e nem aos finais de semana?
CR - Engraçado porque quando dava palestras em faculdade, todos vinham me perguntar de TV - de apresentação. Eu dizia: mas antes de ser apresentador, é importante ter passado pela escuta, pela apuração, pauta, enfim, ali nasce a notícia. Um bom repórter tem que ser um bom apurador, tem que ter a noção do que é importante para o jornalismo e ter jogo de cintura para arranjar personagens - quantas vezes são os próprios repórteres quem arranjam os personagens. Outro dia, em um curso de mídia digital, ouvi um rapaz dizendo que tinha desistido do jornalismo porque 'não aguentava mais trabalhar nos finais de semana e não ter horário para nada'. Eu me virei crente que ia me deparar com um veterano do jornalismo e, para meu espanto, era um garoto!!! Não devia nem ter 30 anos! Jornalismo é paixão, tem que estar na veia, porque paga-se mal, explora-se muito, mas é apaixonante demais.

LM - O que gostaria de fazer na carreira e ainda não conseguiu realizar? Que sonhos profissionais ainda alimenta?
CR - Adoraria cobrir uma guerra - já cobri as 'guerras' urbanas do Rio - peguei o auge dos tiroteios na cidade, inclusive participei como repórter de várias daquelas cenas retratadas no filme Tropa de Elite 2 (a invasão de Bangu, a guerra das milícias, Rio das Pedras, aqueles programas sensacionalistas... rs)

LM - Você acha que um jornalista esportivo deve assumir seu time de coração?
CR - Sou Flamengo, nunca escondi. Sou apaixonada pelo meu time, agora menos, mas sempre fui de ir a Maracanã (década de 80 com Carpegiani). O jornalista até pode dizer seu time, mas não deve nunca dar opinião, reforçar a paixão em público porque grande parte da torcida não entende. Já vi vários casos de jornalistas serem discriminados por isso (e até ameaçados de agressão).

TINO MARCOS E MAURO NAVES,
DOIS ÍDOLOS DE CLÁUDIA RAMOS


LM - Quem são os jornalistas e/ou profissionais da comunicação que mais admira?
CR - No esporte: Tino Marcos e Mauro Naves/ João Máximo (foi meu editor de esporte; é um dos melhores textos do jornalismo). Em revista: Lucy Dias e Deborah de Paula Souza (Lucy foi minha "mestra") Em polícia: Monica Puga

LM - Tem alguma história curiosa ou engraçada da profissão?
CR - Tenho  algumas. Pelo SBT: houve um acidente grave de trem na zona norte do Rio, com mortes. Chegamos no local e a área estava toda cercada; um monte de jornalistas. Daí, tivemos a idéia de ir mais adiante e entrar na via para ver se conseguíamos chegar no trem. Bom, conseguimos e entramos em um trem parado. Fomos andando, andando até que... era o trem do acidente!!! Pegamos com exclusividade imagens chocantes, fizemos tudo. Quando nos descobriram, nos tiraram de lá e ao sairmos demos de cara com um monte de repórteres (devia ter uns 3 da Globo) pasmos. Foi hilário!

Ainda pelo SBT: no segundo dia da pior guerra do Conjunto de Favelas do Alemão, fomos mandados para saber como estava a situação no local. Percorremos a avenida (o complexo fica ao longo da avenida, no morro) e nada de jornalistas e nem de polícia, até que encontramos uma equipe do Bope. Paramos ao lado deles e... começou o maior tiroteio. Era uma guerra!!! Fizemos tudo, inclusive, fomos a única equipe a filmar a morte de um policial do bope do nosso lado, muito triste.

LM - É possível conciliar família e trabalho? De que forma?
CR - Xiiii, dá para pular essa? rs Tenho um filho de 11 anos lindo. É dificil aguentar a carreira. O cara tem que ser muito paciente e flexível com o fato de não termos horários, nem feriados, enfim, de não termos todas aquelas coisas de gente 'normal'.

LM - Deixe uma mensagem para quem pensa em seguir carreira, principalmente no jornalismo esportivo.
CR - Entre de cabeça, dedique-se bastante e faça com paixão. Jornalismo sem paixão não existe.

Cláudia é uma pessoa amável, simpática e atenciosa. Atendeu minha solicitação para entrevista com rapidez e prestatividade, bem diferente de alguns colegas famosos. Torçam para que ela venha trabalhar em São Paulo e possa vir ao Esporte na Rede, programa que apresento na web TV. Ela já prometeu que vem! Promessa é dívida, hein Cláudia! Quem quiser seguir a jornalista no twitter, basta procurar por @claudiaramosrj. Sigam-me também no Twitter: @leandropress. E no Facebook: Leandro Martins. Um forte abraço.

AGRADECIMENTO PELA ENTREVISTA
PROGRAMA ESPORTE NA REDE


video

SEQUÊNCIA DE MATÉRIAS
PROGRAMA MESA REDONDA - TV GAZETA
CLÁUDIA RAMOS APARECE NA REPORTAGEM FINAL



5 comentários:

  1. Olá Leandro. Curti a entrevista. Tomara sim que ela venha ao programa, adoraria conhecê-la pessoalmente. E ela é muito bonita hein.
    Bom, parabéns meu amigo mais uma vez.
    Grande beijo
    Luciane Bruno

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  2. Leandro, nesse perfil faltou só dizer que a Cláudia é um ser humano fora do normal. Uma amiga que tenho o orgulho de ter muito próxima.

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  3. Eu disse que ela é uma pessoa adorável. E espero conhecê-la pessoalmente em breve!

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  4. Grande Leandro!

    Segue o link com o Mesa Redonda onde a Claudia aparece nas reportagens:

    http://youtu.be/StQG1ft817s

    Abraço

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  5. Puxa, muito obrigada a todos vocês pelo carinho!

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