sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Os limites entre investigação e invasão de privacidade


Não é novidade para ninguém que os jornalistas sempre estão atrás de um bom furo de reportagem, uma bomba, um escândalo político ou policial. Para que consigam realizar boas matérias, os repórteres precisam apurar informações e, é claro, investigar fatos. O jornalismo investigativo é fascinante e sempre atrai profissionais da comunicação.

Porém, o jornalista se vê, às vezes, diante de alguns dilemas. Quais os limites entre a investigação e a invasão de privacidade? Por exemplo, há quase três meses, José Dirceu, figura conhecida da política nacional (mais por escândalos do que qualquer outra coisa) afirmou que o repórter Gustavo Ribeiro, da revista Veja, havia tentado invadir seu quarto em um hotel em Brasília.

O repórter investigava supostas reuniões de Dirceu com autoridades ligadas ao governo federal. Segundo a reportagem da revista Veja, as reuniões se davam com a base aliada da presidente Dilma Rousseff (partidos PT e PMDB) e aumentaram durante o período em que o ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, estava sob investigações que culminaram com sua queda.

José Dirceu registrou um Boletim de Ocorrência e o caso estava sendo investigado pela 5ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal. Gustavo Ribeiro queria, obviamente, conseguir informações bombásticas para fazer uma reportagem-denúncia. Não ficou provado que o repórter tentou efetivamente invadir o quarto do político. Mas caso isso tivesse acontecido, ele estaria certo ou errado?

Nesse momento, o jornalista se vê diante de um impasse. Violar domicílio é crime e todos sabemos disso. Porém, aqui no Brasil, o país da impunidade e da bandalheira, as coisas são muito bem escondidas. Ou seja, se o profissional não ousar, também não conseguirá fazer uma denúncia. A quebra de regras faz parte de algumas investigações.

Recentemente, o tablóide The News of The World fechou por causa de denúncias de que o jornal usava escutas ilegais para conseguir informações da vida pessoal de celebridades e políticos e, desta forma, dava furos sensacionalistas de reportagem.

Também comentei no post anterior sobre a jornalista Marcela, personagem da novela Fina Estampa, da TV Globo. Ela invade a vida pessoal de suas fontes para conseguir informações privilegiadas e até manipular os fatos. São situações diferentes, mas com o mesmo foco. O limite entre a investigação e a invasão.

Particularmente, sou daqueles que gostam de agir dentro das leis. Logo, invasão de privacidade é algo que eu jamais faria. Até porque cometer um crime para descobrir outro é o mesmo que o roto falando do esfarrapado. O jornalista é menos criminoso que o político? A saída é tentar, junto aos juízes de direito, a liberação de escutas telefônicas legais e exigir que esse processo seja mais rápido. Essa pode ser uma saída.

Outra possibilidade é investigar pessoas próximas às fontes acusadas, alguém que esteja descontente ou incomodado, que você sente que pode dar declarações relevantes. Paparazzos e invasão de vida pessoal de modo desnecessário é algo com que não compactuo. E você, agiria de que forma? Um forte abraço.

Facebook: Leandro Martins
Twitter: @leandropress

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