segunda-feira, 24 de março de 2014

A TV Cultura e uma reflexão sobre o conteúdo educativo na televisão


A emissora inglesa BBC encomendou um estudo junto ao instituto de pesquisa britânico Populus para medir a qualidade da programação das emissoras de televisão mundo afora. O resultado foi divulgado no fim de janeiro deste ano e colocou a própria BBC em primeiro lugar, seguida da brasileira TV Cultura.

Entre as emissoras brasileiras também se destacaram Globo (28ª), TV Brasil (32ª), Bandeirantes (35ª - observação minha: não sei como!!!), Record (39ª) e SBT (40ª).

Segundo o portal Comunique-se, "a pesquisa, chamada International Perceptions of TV Quality, entrevistou aproximadamente sete mil pessoas em 14 países, sendo eles Austrália, Brasil, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Japão, Holanda, Espanha, Suécia, Portugal, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos.

O questionário perguntou aos participantes sobre a qualidade da programação de TV ao redor do mundo e sobre a qualidade de cada um dos canais mais expressivos do seu país. Emissoras com share de 5% ou mais foram incluídas na pesquisa, assim como também entraram outras com menos de 5%, dependendo do território".

Logo, foi uma pesquisa qualitativa. Sempre bati na tecla de que as emissoras abertas de TV devem investir em programas educativos. Pelo menos, entendo que parte da grade de qualquer emissora que se diz decente poderia ser ocupada por programas assim. Sempre sugeri algo em torno de três horas diárias (12,5% de uma grade de 24 horas).

Com isso, no meu entender, não haveria prejuízo da exibição da grade de jornalismo, entretenimento ou esportes. Faltam programas de boa qualidade à TV brasileira. Programas que ensinem mais. Mas que também não podem ser exibidos durante a madrugada, pois aí não cumpririam o papel a que se destinam: educar e informar o grande público sobre temas relevantes para o convívio em sociedade - principalmente, o meio ambiente (destaque meu).

A Globo, por exemplo, possui praticamente 5 novelas diárias na grade. Não ia doer nada tirar umas duas e substituir por um programa educativo. Tem também seis ou sete telejornais. Daria para substituir um ou dois por um desses programas.

Até aí, tudo lindo e maravilhoso. Mas cabe aqui uma reflexão sobre esse estudo. Se a TV Cultura, com seus vários programas educativos, aparece em segundo lugar em qualidade, obviamente, os brasileiros, ao falarem sobre a programação da emissora, deram grande destaque à grade atual de atrações. Acredito que o método para que a Cultura ocupasse tal posição tenha sido a proporção de pessoas que falaram bem da programação das emissoras, entre os diversos países.

Em que pese a pesquisa levar o nome de percepções internacionais sobre a qualidade da TV, é bem provável que a opinião dos brasileiros contou mais para as emissoras do Brasil.

Logo, suponho que, dos brasileiros ouvidos, a maioria deles elogiou a emissora mantida pela Fundação Padre Anchieta e a colocou como a TV de melhor qualidade por estas terras. Agora, pergunto a você, amigo leitor. Se a programação da TV Cultura tem excelente qualidade no entender dos brasileiros entrevistados, por que então ela não é líder de audiência no país? Pior: não aparece nem entre as três primeiras, segundo o IBOPE.

A Cultura exibe programas como espetáculos musicais, apresentações de balé, dramaturgia e literatura, além de infantis e educativos para adultos também.

Algo aí está estranho. Ou os brasileiros dizem uma coisa (para serem politicamente corretos) e fazem outra (dizem que assistem à Cultura, mas adoram ver mesmo a Globo), ou então estaria comprovado que esse tal de IBOPE é uma farsa, uma falácia. Muitas vezes, já ouvi comentários a esse respeito. Mas não temos como dizer se o instituto funciona efetivamente ou não. Ou ainda, talvez a Cultura saiba vender a imagem internacional dela como nenhuma outra. Ou então, concluímos que a pesquisa encomendada pela BBC (que a colocou em primeiro lugar) é uma furada. São várias hipóteses.

Caso o IBOPE seja mesmo uma entidade duvidosa, é mais um pretexto para que as emissoras invistam em qualidade de programação, principalmente educativa. Nesse caso, as grandes emissoras poderiam "dar de ombros" para a audiência. Em tese, é a audiência que sustenta a TV, pois, quanto mais gente assiste a determinado canal ou programa, mais empresas querem aquele espaço para divulgar sua marca e mais caro é o valor do anúncio ou do patrocínio.

Mas, se o IBOPE for apenas um número de fantasia, ninguém mais precisaria se preocupar com audiência e sim com a qualidade. Agora, se o problema estiver nos entrevistados (e quero crer que não), estaria comprovado que muita gente exalta a TV Cultura da boca pra fora e curte mesmo assistir a um Big Brother Brasil, na Vênus Platinada.

Não tem como precisarmos isso, pois não sabemos onde a verdade reside. De qualquer forma, reafirmo: sou a favor de conteúdo educativo nas grandes emissoras abertas brasileiras. Mas, cabe a reflexão que fiz. O que você acha? Opine aqui nos comentários. Um forte abraço.

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Um comentário:

  1. Fala Leandro Martins!
    Bom tema esse, aliás Flávio e eu falamos dele num dos nossos programa do Bola Redonda, pegamos essa pesquisa a analisamos.
    Chegamos a duas conclusões.
    A primeira foi a de que as pessoas falam que a TV Cultura é boa porém não a assistem.
    A segunda conclusão foi, sim a Cultura tem uma programação bem educativa, porém são programas muito chatos para a TV.
    O exemplo que usamos foi o "Café Filosófico" que é um programa com ótimo conteúdo mas muito, muitoooo chato! hehehe.
    Agora a Band estar nessa lista realmente prova que há algo de muito errado no reino da BBC hehehehehe.
    Abçs!!!

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