sexta-feira, 13 de julho de 2012

ESPN Brasil é exemplo de isenção no jornalismo esportivo


Sei que a imensa maioria da população brasileira ainda não tem acesso à internet e à TV por assinatura. Muitos não sabem sequer que ESPN é uma emissora de TV. Por isso, a grande massa acaba engolindo os lixos, modos e formatos de programação exibidos pelos conhecidos canais de televisão abertos.

Honestamente, desde que passei a assinar a chamada TV fechada, vejo pouquíssima coisa nas emissoras tradicionais. Apenas um ou outro programa é realmente interessante, bem feito e bem produzido. Mas, a maioria não serve.

Quando o assunto é esporte então, a coisa vai a níveis aterrorizantes. Entre os programas esportivos que ainda consigo ver na TV aberta estão Cartão Verde, da TV Cultura, Gazeta Esportiva, da TV Gazeta e a dobradinha Auto Esporte e Esporte Espetacular, da Rede Globo.

No restante, vejo um festival de baboseiras, polêmicas vazias, pouca análise séria, muito palpiteiro e torcedor, ex-jogadores que não sabem nem falar e se acham grandes comentaristas e muita tendência para privilegiar os times com maior torcida.

Entre esses programas estão: Globo Esporte (Rede Globo), Esporte Fantástico (Rede Record), Rede TV Esporte e Bola na Rede (Rede TV!), Mesa Redonda Futebol Debate (TV Gazeta) e Jogo Aberto e Terceiro Tempo (Rede Bandeirantes).

No entanto, quem tem TV por assinatura e gosta de uma cobertura esportiva isenta, séria, bem analisada e com profundidade, pode assistir a qualquer programa dos canais ESPN, em especial, da ESPN Brasil.

A emissora é mesmo um exemplo de bom jornalismo. Dá quase sempre o mesmo peso e tratamento para todos os times brasileiros da primeira divisão e conta com jornalistas do mais alto nível em seu quadro de funcionários. Entre eles, dois comentaristas que admiro muito: Paulo Vinícius Coelho e Paulo Calçade.

Aliás, todos os profissionais da emissora estão longe de ser tendenciosos para este ou aquele time e narram todos os gols de maneira igual, isenta e sem serem torcedores privilegiados. Até mesmo quando joga a Seleção Brasileira. Além disso, abordam também o lado investigativo do esporte, expondo as falcatruas políticas que existem nos bastidores e que quase não são citadas nas grandes redes de TV. Dedo na ferida!

Obviamente, não sou dono da verdade nem da razão. Tampouco uma unanimidade. Então, muita gente vai concordar e muita gente vai discordar veementemente do que escrevi aqui. A análise que fiz é muito subjetiva, fato. Mas, para quem gosta do BOM jornalismo, entende que a ESPN Brasil é ícone de isenção, objetividade e credibilidade no esporte brasileiro. Por isso, carrega em seu slogan uma palavra importante: informação (o slogan é "Informação é o nosso esporte").

Ou seja, informação em primeiro lugar. Jornalismo em primeiro lugar! Entretenimento, torcida e polêmicas vãs não fazem parte deste cardápio. Não combinam com ele. É uma pena que o monopólio impere no esporte brasileiro e que algumas competições sejam exclusivas de emissoras que não dão o tratamento sério que deveriam às modalidades e ao futebol em especial, que faz parte da cultura nacional.

A parte plástica pode ser excepcional, louvável, impecável. Mas a parte jornalística deixa a desejar nas grandes redes. Algo que jamais acontece na ESPN. É um dos lugares nos quais gostaria de trabalhar um dia. Acredito que, como toda empresa, também deva ter seus problemas internos, suas dificuldades e suas limitações, o que, falando como telespectador, jamais impediu que pudesse assistir a um grande trabalho. Um forte abraço.

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quarta-feira, 11 de julho de 2012

A campanha eleitoral e a campanha "antieleitoral" na TV



A foto acima foi extraída do Facebook, uma das maiores redes sociais do mundo. Em época de eleições, há três tipos de campanhas. A eleitoral, tradicional, que exalta os políticos e pede seu voto; a de alerta, que pede atenção do eleitor para votar de forma consciente, e a "antieleitoral", que afirma que nenhum político presta e que o melhor voto é o nulo.

Do ponto de vista televisivo, a última modalidade de campanha não se vê. A segunda é bem difundida. Já a primeira, é publicidade pura. Cada detalhe é pensado milimetricamente. Desde o penteado do candidato, até a cor da roupa, entonação da voz, gestos, etc.

Muitos jornalistas, por entenderem o funcionamento da mídia, são convidados para trabalhar em campanhas políticas junto com profissionais de marketing e publicitários. Às vezes, os jornalistas também escrevem os textos que vão ser lidos pelo candidato.

Já passei por essa experiência. É algo totalmente diferente do que se faz no dia-a-dia do jornalismo. Enquanto você aprende sempre a escrever textos objetivos, impessoais, isentos e imparciais, sem tomar partido algum, na política é justamente o contrário. No jornalismo, relatam-se os fatos. Na política, os exaltamos.

É preciso que você, leitor, fique atento. Os vídeos de campanha são altamente publicitários, apelativos, exaltadores e, alguns, bem mentirosos. Esqueça a televisão em época de campanha. A melhor maneira de você votar de forma consciente é buscar informações sobre os candidatos, conhecer os programas de governo e saber o que eles já fizeram em cargos e gestões anteriores em suas vidas públicas.

E se, mesmo assim, você não estiver certo quanto a seu voto, digite 99 e anule. Mas faça isso apenas com a convicção de já ter se informado e com a certeza de que nenhum candidato merece seu voto nas urnas. E não ligue para o discurso vazio que diz que "se você não votou em ninguém, também não pode cobrar".

Pode sim! E deve! Afinal, quem quer que seja eleito, tem de governar para todos! E você, amigo leitor, faz parte do "todos". Portanto, mesmo que anule seu voto, você tem total direito de cobrar melhorias públicas dos governantes. Apenas preste bem atenção e fique atento às armadilhas eleitorais. Busque várias fontes de informção. E, no horário da propaganda eleitoral gratuita, vá ler um livro. A propaganda é publicidade e não informação. Um forte abraço.

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segunda-feira, 9 de julho de 2012

"Jornal Nacional - Modo de Fazer"



O post de hoje deste blog é uma dica de leitura fácil, agradável e instrutiva. Terminei de ler recentemente o livro "Jornal Nacional - Modo de Fazer", do jornalista William Bonner. O âncora do jornal mais assistido do país é também seu editor-chefe.

No livro, Bonner explica como é montado o JN. Desde a reunião de caixa, em que são discutidos os assuntos de uma determinada edição, até o momento em que a atração entra no ar. Período durante o qual também poderá ser modificada.

O apresentador do JN explica tudo de maneira simples. Assim o livro pode ser lido por quem cursa ou não a faculdade de jornalismo, já que são poucos termos técnicos e, os que existem, são minuciosamente explicados. Bonner também conta vários casos interessantes, que permitem ao leitor entender como funciona a estrutura do programa e, de certa forma, da Rede Globo.

Durante a leitura, é possível entender por que o nível de estresse de alguns jornalistas é tão alto. A edição diária do Jornal Nacional pode ser modificada mesmo quando está no ar, dependendo da notícia que chega à redação naquele momento. E como notícia não tem hora e nem lugar, às vezes, o estresse passa para os repórteres, com a "encomenda" de reportagens "em cima da hora" do jornal ir ao ar.

Imagine você, amigo leitor, a responsabilidade de William Bonner, que, como editor-chefe, precisa escolher, dentre dezenas de assuntos, aqueles que estarão presentes em uma edição de telejornal de apenas 31 minutos líquidos. É muita loucura. E tudo que vai ao ar é, em primeiro grau, responsabilidade dele.

Bonner também fala sobre os bastidores da cobertura de grandes eventos e conta boas histórias com uma pitada de humor em seu texto. Ele explica, por exemplo, como conseguiu driblar milhares de fiéis que se aglomeravam na Praça de São Pedro poucos minutos antes de apresentar o JN do alto do Colégio Santa Mônica, em 2005, quando o papa João Paulo II faleceu.

Ele fala da ajuda abençoada que recebeu de algumas freiras e de um policial. Também conta como, horas antes de começar o JN, embarcou do Rio de Janeiro para São Paulo, para ancorar o jornal ao vivo da cidade onde ocorriam ataques do PCC (movimento intitulado como Primeiro Comando da Capital) a bases policiais de toda a cidade, em 2006.

O livro é bem didático e mostra detalhes importantes na confecção de um jornal, como a produção, a pauta, o uso de materiais de arquivo, das artes gráficas e até a maneira de montar um espelho. O subtítulo "Modo de Fazer" sugere que o Jornal Nacional possa ter uma receita habitual para ser preparado. Até tem, mas seu editor-chefe deixa bem claro como as coisas mudam até segundos antes do "boa noite" inicial ou mesmo antes do "boa noite" final.

Para fechar, Bonner também explica alguns critérios de seleção de notícias para a edição do dia do JN e explica como cada notícia é tratada, dependendo do grau de relevância que apresenta. Ele fala sobre qual notícia pode ser apenas uma nota de 20 segundos e qual deve ser reportagem, com texto, imagem e a condução de um repórter.

Fala ainda sobre como compor os blocos do jornal, que devem ser feitos com notícias que permitam ao telespectador compreender melhor os assuntos daquela edição, ou seja, com notícias-gancho. Eu, que também sou editor-chefe, sei bem o que Bonner passa (guardadas as devidas proporções, é claro).

É uma leitura que vale muito a pena para quem cursa ou pensa em cursar a carreira jornalística. O livro, da Editora Globo, faz parte de uma coletânea de fotos e vídeos que se chama "Memória Globo". Conteúdos que ajudam a preservar a história de um dos maiores conglomerados de mídia do planeta. Obviamente, tem sua pitada institucional, é claro, mas, mesmo assim, o conteúdo é bem interessante. Um forte abraço.

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quinta-feira, 5 de julho de 2012

O time do coração de todo jornalista deve ser o próprio trabalho


Ontem, pouco antes da final da Copa Libertadores entre Corinthians e Boca Juniors, perguntaram-me para quem eu iria torcer. Vi muitas pessoas boquiabertas diante da resposta de que não torceria para ninguém e apenas analisaria a partida, como jornalista que sou.

Quem é torcedor apaixonado, fica ainda mais indignado diante de minha neutralidade. Na última terça-feira, no programa Esporte na Rede, que apresento toda semana pela UPTV (www.uptv.com.br), ao vivo, a partir das 20h, disse que o Corinthians já era campeão e que o jogador decisivo seria o Emerson. Para quem quiser ver, está tudo gravado em alto e bom som e imagem neste link http://www.youtube.com/watch?v=T6LXfhRwPbs.

Alguns internautas insinuaram no ar que torço para o alvinegro paulista, por isso, adiantei-me e já respondi ali mesmo que não sou corintiano. O que eu faço é análise imparcial. Por isso, nosso programa tem o slogan de "análise esportiva de qualidade". Ontem, como sempre, torci única e exclusivamente para mim.

O time do coração de todo jornalista deve sempre ser o próprio trabalho. Toda vez que recebo um elogio ou ganho um seguidor aqui no blog, é motivo de comemoração. Toda vez que leio comentários aqui de que "escrevo bem, tenho textos fáceis de ler e abordo os assuntos de maneira interessante" (palavras de leitores), vibro intensamente. E faço o mesmo quando recebo comentários elogiosos nas reportagens que divulgo em meu canal do You Tube: http://www.youtube.com/user/lsmartins100?feature=mhum.

Amigo leitor, raciocine comigo. Os jogadores de futebol torcem para mim? Não. Então, por que eu tenho de torcer por eles? Os jogadores comemoraram a merecida vitória e o título, pois torcem para o trabalho que desenvolveram ao longo da temporada.

O mesmo ocorre com um jornalista. Torce para o próprio trabalho sempre. Fiquei feliz em ter acertado 100% da minha análise no programa de terça. Também não sou um deslumbrado. Sei que não é todo dia que isso acontece.

Por isso, o que ocorreu no Pacaembu ontem é motivo de comemoração pessoal. Eu e os companheiros de programa analisamos o jogo melhor do que muito pseudo-comentarista de TV grande. E antes que a partida começasse.

Por que eu, que nunca tive uma ajuda sequer de um jogador para adentrar ao dificílimo mercado de trabalho na mídia, vou torcer para ele? Sempre me matei para conseguir vagas de emprego e, quando muito, conseguia ganhar o piso de jornalista de mil e poucos reais. Antes, trabalhei muito mais por muito menos. Enquanto isso, um jogador de futebol de time grande, em média, não ganha menos de 60 ou 70 mil reais mensais. Isso os mais rasos.

É claro, não sou hipócrita. É óbvio que tenho um time do coração. Afinal, é como torcedor que uma pessoa toma contato com essa paixão e foi com ela que tive despertado em mim o desejo de ser jornalista esportivo. Porém, devemos sempre ter consciência e controle emocional para separar o pessoal do profissional. Lidamos com paixões: as dos outros e não as nossas.

Minha torcida maior hoje em dia é para que o Esporte na Rede, na internet, torne-se referência nacional como atração esportiva de qualidade, com profissionais de altíssimo nível intelectual, reconhecidos no Brasil e no mundo e, de preferência, com o apoio de empresas sérias que nos ajudem nos investimentos presentes e futuros.

Os rojões que os torcedores jogaram ontem ao ar eu também jogaria se, amanhã, um empresário gente boa e bem intencionado me ligasse para dizer que gostaria de patrocinar nosso programa. Isso sim, é motivo para que eu vibre e comemore como se fosse um gol em final de Copa do Mundo.

O embate entre duas equipes é apenas um evento. O gol, a falta, o cartão vermelho... Tudo isso eu analiso. O carinho do internauta eu comemoro. Pelo Esporte na Rede, tenho imensa e verdadeira paixão, alucinação, obcessão.

Sou obcecado em fazer um bom trabalho. Em levar um programa de qualidade aos lares. Em transmitir a emoção que o esporte suscita para os internautas. A emoção do esporte eu transmito, mas a minha emoção pessoal se dá quando chega uma nova mensagem para que a Luciane Bruno leia no ar.

A minha vibração é quando chegam elogios gratuitos de teleinternautas que estão assistindo ao programa pela primeira vez e que sequer nos conhecem pessoalmente. A minha alegria é quando dizem que o ER é o melhor programa esportivo da web. Torço para meus companheiros de trabalho. Torço para mim, não para uma agremiação. Se eu não fizer isso, quem o fará? Um forte abraço.

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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Fotos do programa Esporte na Rede, com Graziele Crizol

Ontem o Esporte na Rede recebeu a árbitra Graziele Crizol. Ela esclareceu a função dos dois árbitros adicionais, que ficam atrás dos gols e também falou sobre a carreira e as peculiaridades da profissão. Ainda falamos de Copa Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão. E ainda, Vestindo a Camisa, com Alexandre Aníbal.

O ER vai ao ar pela UPTV (www.uptv.com.br) toda terça-feira, AO VIVO, a partir das 20h. Esporte na Rede, análise esportiva de qualidade! Confira abaixo as fotos e o programa na íntegra. Um forte abraço.

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Estudantes de jornalismo devem visitar ao menos a redação de um veículo durante o curso



A universidade é feita de teoria e prática. Esta segunda parte inclui, durante o curso, algumas visitas a redações de diversos veículos de comunicação. Esse tipo de experiência é fundamental na vida de um aluno e o ajuda a visualizar o trabalho do jornalista na prática (foto: vista aérea da redação do Jornal Nacional, da Rede Globo). Afinal, segundo o (verdadeiro) ditado, na prática, a teoria é outra.

Estando lado a lado com seus futuros pares e colegas de profissão, o estudante universitário percebe que a realidade do trabalho nem sempre se parece com o que ele vê em sala de aula. Ou, dependendo do veículo, confirma que sua carreira pode ser exatamente igual à que o professor se refere durante o curso.

De qualquer forma, toda e qualquer universidade deve se esforçar para levar seus alunos a tomarem conhecimento visual de redações de vários veículos. É uma experiência bem bacana. Pela Metodista, onde estudei, conheci os estúdios da TV Globo em São Paulo. À parte (o que também é possível de se fazer) conheci a redação da revista Playboy e da Placar, ambas da editora Abril.

Também conheci parte da Rádio e TV Bandeirantes e parte do SBT. Isso fora as redações em que efetivamente trabalhei. Essa vivência faz com que o estudante entenda melhor o ambiente de trabalho do jornalismo e a dinâmica de cada empresa.

O bom repórter é o que está na rua, no local dos fatos. Como seres humanos, gostamos das experiências empíricas. Por isso, para um estudante também é importante conhecer as empresas de comunicação ou então, se estiver ainda no Ensino Médio, conhecer as estruturas físicas das faculdades para nas quais pretende prestar vestibular.

Se sua faculdade ainda não disponibilizou nenhuma visita a algum veículo, cobre do seu professor, do coorednador do curso e até do reitor se for o caso. Mas não deixe de conhecer, ainda como estudante, um pouco da prática da profissão que pretende seguir. Um forte abraço.

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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Os vários papéis desempenhados pelo assessor de imprensa na teoria e na prática



Existe uma célebre e verdadeira frase clichê que diz que, "na prática, a teoria é outra". O papel do assessor de imprensa sempre foi discutido na faculdade. Em tese, o assessor é a figura que faz a ponte entre seu cliente e a imprensa.

O assessor ajuda o cliente a aparecer mais na mídia, criando fatos ou promoções para a geração da chamada "mídia espontânea". Mas também é papel dele ajudar a imprensa a obter entrevistas com os representantes de seus clientes em momentos bons e ruins, como em gerenciamento de crises.

Mas será que isso ocorre na prática? Não! Na prática, o assessor, que deveria ajudar o trabalho da imprensa, geralmente, é o cara que nos atrapalha. Este cidadão acaba "se vendendo" e a defesa de seu cliente vira obrigação, numa atitude antiética do ponto de vista de um jornalista, já que, muitas vezes, esconde os fatos.

O medo de perder o emprego fala mais alto e o assessor esmera-se apenas em fazer com que os aspectos positivos de seu cliente apareçam na mídia. Mas não devemos nos esquecer, porém, de que o gerenciamento de crises bem feito é tão importante para a boa imagem do cliente quanto o destaque dos aspectos positivos.

Alguns assessores claramente travam e atrapalham o trabalho da imprensa, minando as entrevistas e impedindo que representantes de seus clientes façam declarações públicas. Outros ainda rejeitam o convite de "mídias menores" para entrevistas, só porque não oferecem a mesma visibilidade das mídias mais tradicionais. Isso é segregar, renunciar a um trabalho ético e sério.

Do ponto de vista da relação patrão e empregado, o assalariado deve sempre defender seu patrão. Concordo, desde que isso não obstrua investigações, crimes e falcatruas. A função principal do assessor é manter o bom relacionamento de seu assessorado com a imprensa e não varrer sujeiras para debaixo do tapete.

Como toda generalização é burra, não podemos generalizar. Existem sim ótimos assessores que fazem de tudo para atender bem a programas de rádio e TV, repórteres de diversos veículos, não fazendo nenhuma distinção das empresas em que os jornalistas trabalham. Tratam todos de forma igual e com exclente qualidade de informação, conteúdo e materiais de apoio.

Assim como também existem os picaretas, que querem tirar partido para se aproveitarem de situações privilegiadas, conseguirem favores e ainda prejudicar o trabalho de quem quer e precisa fazer uma boa reportagem. Alguns assessores nem jornalistas são. São Relações Públicas, o que complica mais nosso trabalho, pois entendem menos nossas necessidades.

O importante é que você também mantenha boas relações com os assessores, pois eles podem ser parceiros importantes na hora de lhe dar uma notícia exclusiva. Ou, pelo menos, no auxílio para uma boa reportagem.

O fato é que, na prática, quase nunca vejo as pessoas aplicando no mercado o que aprendem na faculdade, o que me deixa muito triste. Algo precisa mudar. Ou o discurso universitário está puritano demais, ou o mercado de trabalho está promíscuo demais.

Infelizmente, para quem vive no mercado, percebe que o discurso universitário, apesar de correto e cheio de boas intenções, soa falso. E haja estômago para aguentar um mercado como o nosso! Por isso, o papel do assessor é um na teoria e acaba sendo outro na prática. Uma pena. Ainda assim, os jornalistas de bem devem sempre lutar para que tal situação mude e para que a ética, a verdade, a retidão e o bom caráter predominem na profissão e na carreira. Um forte abraço.

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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Fotos do programa Esporte na Rede, com Jota Alves

Ontem o Esporte na Rede recebeu Jota Alves, criador e idealizador do site, rádio e tv web STI Esporte. Ele falou sobre a escola de revelação de repórteres e locutores de rádio que mantém com a ajuda da esposa. Um bate-papo descontraído e informativo.

Também falamos de Copa Libertadores, Eurocopa e a Fórmula-1! O ER vai ao ar toda terça-feira, AO VIVO, pela UPTV (www.uptv.com.br), às 20h. Acesse também nosso novo site www.esportenarede.org. Ou mande um e-mail para plateia@esportenarede.org. Veja as fotos abaixo e o programa na íntegra. Um forte abraço.

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segunda-feira, 25 de junho de 2012

"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena"



A frase que abre o post é do grande poeta e escritor Fernando Pessoa. E o que ela tem a ver com o blog? Você, amigo leitor, que é visitante assíduo e sempre lê estas mal digitadas linhas, sabe que, normalmente, sou crítico contumaz do jornalismo.

Procuro trazer bastidores, curiosidades sobre a carreira, análises ao trabalho de colegas. Quase sempre, tal processo envolve críticas a alguns aspectos da carreira e da profissão. No entanto, hoje quero apenas aproveitar a frase de Pessoa para ressaltar que, apesar de todos os percalços e obstáculos que enfrento, amo o que faço.

Por isso, repito: "tudo vale a pena quando a alma não é pequena". O jornalismo tem aspectos negativos, mas também tem muita coisa boa. Não importa se o salário é baixo, se somos explorados às vezes e se chegamos a trabalhar 14 horas em um dia.

Nada paga o preço de publicar uma entrevista exclusiva e bem feita, dar um furo de reportagem, ajudar a sociedade, ver o sorriso no rosto de uma criança carente que teve a vida modificada por causa de uma matéria, etc. Esse tipo de coisa tem um valor inestimável.

Portanto, hoje nada de críticas nem análises. Apenas o reforço de que, se você tem o sonho de ser jornalista, não desista. Corra atrás do seu espaço. Não é fácil, fato. O mercado é concorrido, acirrado e cruel. Máquina de moer carne mesmo. Mas é gratificante quando você consegue sustentar sua família com seu sonho.

Graças a Deus, sempre trabalhei na área. Tive mais alegrias do que tristezas, mais soluções do que problemas, mais satisfações do que incômodos e fiz mais amigos do que inimigos. Isso já valeu a pena. Adorei a faculdade de jornalismo. Ensinou-me muitas coisas. Outras, aprendi na prática.

Sempre exaltei o valor da universidade. Ela é extremamente importante para a preparação para o mercado de trabalho. Quer ser jornalista? Leia, informe-se, estude! Isso fará diferença em sua vida profissional. E você alcançará louros na carreira.

Um deles será conseguir justamente adentrar a esse mercado estrangulador e viver da profissão que ama e que escolheu para honrar e respeitar na vida. Assim mesmo, como um casamento. Ame seu ganha-pão e ele jamais o deixará na mão. Até rimou!

Quero aproveitar também e agradecer a você, amigo leitor, pelo carinho com este blog. São quase 42 mil visitas em pouco mais de um ano e meio. Recebi dezenas de comentários carinhosos e vários pedidos de orientação sobre os rumos da carreira pelos jovens.

Tudo isso só me dá ainda mais combustível para alimentar este blog de três a quatro vezes por semana. E vou esmerar-me ainda mais para trazer à tona assuntos cada vez mais interessantes e esclarecedores sobre o mundo midiático. Obrigado, de coração. Um forte abraço.

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sexta-feira, 22 de junho de 2012

O papel da dinâmica de grupo no processo seletivo



Normalmente, um processo seletivo para determinado cargo é feito de várias etapas. No jornalismo, quase sempre, a sequência é: cadastro, prova escrita, dinâmica de grupo e entrevista com gestores.

Quando chega a hora da lendária dinâmica de grupo, muita gente se pergunta: o que os selecionadores observam nessa etapa? Simples: comportamento. O profissional de Recursos Humanos não tem condições de avaliar a competência de ninguém apenas por um único teste.

Mas consegue detectar traços de comportamento (o tempo todo) como liderança, atitude, perfil agregador, capacidade de trabalhar em equipe, etc. Logo, o que será observado é seu comportamento corporativo.

Às vezes, em certas dinâmicas de grupo, nos sentimos meio bobos mesmo. Nunca sabemos para onde olhar, o que devemos fazer, como conversar com os colegas. Parece que estamos fazendo um trabalho de escola.

Portanto, o ideal é manter um comportamento tranquilo. Imagine-se em uma grande corporação e como você agiria naquela determinada situação. Afinal, a dinâmica não é a última etapa do processo e sim, mais uma classificatória.

Até aqui, é o RH quem seleciona o candidato. Mas, depois da dinâmica, sua contratação depende muito da entrevista com o gestor. A partir deste momento, seu tão sonhado emprego está nas mãos dele. A dinâmica serve apenas para que você chegue até o gestor, pois, geralmente, quem contrata é ele. Um forte abraço.

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

O "Q.I. do Bem", o "Q.I. do Mal", e o poder dos influentes nos processos seletivos do jornalismo


Como o prometido, hoje vou falar sobre os "Q.I.s" nos processos seletivos do jornalismo. Em nosso jargão, a sigla significa "Quem Indica". Ou seja, serve para nos referirmos às pessoas que conseguem uma vaga no mercado de trabalho por indicação de amigos, parentes ou pessoas influentes. Hoje em dia, só o currículo não é o bastante para contratar um profissional para determinada vaga. Ser bem relacionado é fundamental.

A mazela existe em todas as áreas de todas as empresas. Algumas com maior, outras com menor frequência. O "Q.I. do Bem" é a indicação que considero positiva. É a indicação a uma vaga de trabalho por mérito. Por exemplo, suponha que eu seja funcionário de uma grande empresa de comunicação. E tenha um amigo confiável, bom caráter, ético, com perfil agregador e que, acima de tudo, seja competente. É mais do que justo e saudável que o indique para uma vaga. Por suas virtudes pessoais e pelos seus méritos profissionais.

O "Q.I. do Mal" é o oposto. E acontece bastante. Suponhamos que eu, empregado na tal empresa de comunicação, tenha um amigo (ou irmão, ou parente, ou namorada, esposa, ficante, etc.) que está desempregado e precisa trabalhar. Ou então que exista uma vaga no local que remunere bem.

A indicação maligna e cancerígena acontece quando indico essas pessoas para o emprego apenas porque fazem parte do meu círculo social próximo (isso inclui até amigos de balada, que se embebedam nas noites). Normalmente, não têm talento ou competência para assumir a função.

O "Q.I. do Mal" é ruim para todos. Primeiro, porque prejudica o indicador, já que, em pouco tempo, vão constatar que a pessoa indicada não tem nenhuma aptidão para ocupar o cargo, o que traz prejuízo para as empresas da iniciativa privada.

Depois, prejudica o indicado, já que ele fatalmente será demitido por não desempenhar bem sua função e, talvez, seja "queimado" no mercado de trabalho. A exceção é quando a indicação acontece nos órgãos públicos, para cargos comissionados. No funcionalismo público não existe concorrência como acontece no setor privado. Logo, não há cobrança por resultados.

Assim, o indicado no funcionalismo público pode entrar e se manter no cargo sem ter competência para isso, uma vez que não será demitido por não saber executar suas tarefas (a menos que traia seu indicador ou o partido para o qual trabalha).

Nesse bolo, além de amigos, parentes e parceiros sexuais, podem estar filhos de artistas e de gente famosa, bem como pessoas influentes. É comum vermos políticos ou filhos e parentes de políticos conseguirem vaga em emissoras de televisão, por exemplo, ou então filhos de atores e cantores famosos. Esta faixa também reserva uma fatia para quem usa o corpo para se promover, como as mulheres frutas, panicats, etc.

Essas pessoas não provam seu valor em processos seletivos. E mesmo que um dia participem deles, já estarão pré-selecionadas, enquanto você, cidadão honesto que estuda e batalha, é simplesmente deixado de lado em detrimento dessa escória midiática. Prova disso é a péssima qualidade da programação da TV aberta.

Amanhã volto para falar sobre a lendária dinâmica de grupo nos processos de seleção no jornalismo. Um forte abraço.

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