quarta-feira, 20 de junho de 2012

Fotos do programa Esporte na Rede, com Fernanda de Lima e Bruna Viel

Ontem o programa Esporte na Rede falou sobre o papel da mulher no esporte. Em nossos estúdios, a presença de Fernanda de Lima e Bruna Viel, do site Donas da Bola (www.donasdabola.com.br). Elas abordaram os desafios da carreira jornalística e as peculiaridades da profissão.

Também falamos sobre Copa do Brasil e Copa Libertadores da América, além da Fórmula-1. O Esporte na Rede vai ao ar toda terça-feira, AO VIVO, às 20h, pela emissora web UPTV (www.uptv.com.br). Veja abaixo as fotos e o programa na íntegra. Esporte na Rede! Análise esportiva de qualidade! Um forte abraço.

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segunda-feira, 18 de junho de 2012

O mistério dos processos seletivos no jornalismo



O caminho primário para que um estudante universitário consiga o primeiro emprego em qualquer área ou carreira é o envio de currículos e a participação em entrevistas e processos seletivos. Assim também é no jornalismo. Porém, nem sempre os processos são lisos, corretos e transparentes.

Infelizmente, aqui no Brasil, a picaretagem e a malandragem são situações endêmicas e fazem parte do cotidiano de muitas pessoas. O famoso jeitinho brasileiro predomina em vários setores de nossa vida. Não me canso de dizer que o Brasil, se fosse um país sério, já estaria tranquilamente entre as cinco maiores economias do planeta.

Mas não é assim que funciona. Claro, existem empresas e empresas. E muitas são sérias, corretas e premiam o mérito. Outras, se deixam influenciar por questões pessoais e não apenas profissionais. No jornalismo, isso fica mais evidente, pois acontece com muita frequência.

Há um tempo, quando tinha acabado de me formar, prestei um processo seletivo para trainee na TV Bandeirantes (Band). Isso deve fazer uns quatro anos, mas lembro-me como se fosse hoje. Tinha uma prova escrita, uma dinâmica de grupo e, por fim, a conversa com o gestor da área pretendida.

Cheguei até a última etapa. O então gestor de esportes (área que eu queria) era Carlos Gomes, popular CG, hoje diretor de esportes se não me engano. Na entrevista, esse cidadão sequer olhou na minha cara, fez só uma ou duas perguntas e praticamente não falou comigo. Não posso afirmar, pois não tenho provas nem estou dentro da consciência das pessoas, mas, pelo modo como as coisas aconteceram, parece que já havia alguém indicado para o cargo.

Senti-me mal e enojado com tal situação em uma grande emissora de TV aberta. Em outra oportunidade, eu e alguns amigos fizemos uma prova para um processo seletivo na Fundação Padre Anchieta ou, se preferir, TV Cultura. Esse foi bem recente, em 2010.

Também havia prova escrita e, em seguida, seríamos convocados para conversar com o gestor da área. Eu e mais alguns amigos recebemos uma ligação, antes do Carnaval de 2011, na qual a moça do RH dizia que tínhamos sido selecionados para conversar com o gestor da área, mas que ainda não havia uma data para isso.

Mais de um ano se passou e nunca mais recebemos um sinal de fumaça sequer. Não sei se fizeram isso apenas para dar ou não uma satisfação, mas o fato é que os candidatos ficaram esperando eternamente. Outro dia, por curiosidade, entrei no site da TV Cultura para ver se havia alguma novidade e, para a minha surpresa, as vagas a que estávamos concorrendo foram todas preenchidas. E nunca falamos com o tal gestor.

Isso é muito comum, infelizmente. Tem muita gente influente que não sabe fazer nada e ocupa o lugar de quem quer trabalhar com correção, ética e dignidade. Um jornalista famoso, que trabalhou na TV Cultura recentemente, disse-me que lá a diretoria é muito "panelinha" e que seus membros são retrógrados. Além disso, enquanto esses diretores estiverem lá, a coisa nunca vai andar bem e, por isso, a Cultura caiu tanto em qualidade e produtividade. Palavras dele.

Pelo visto, parecem fazer sentido. Nossas vagas são frequentemente ocupadas por gente influente, filhos de artistas, apadrinhados políticos, etc. Uma pena. Mas sobre isso, sobre o famoso Q.I. (quem indica, na nossa linguagem) e sobre as lendárias dinâmicas de grupo, vou falar na quinta-feira, no post sobre a segunda parte dos misteriosos e obscuros processos seletivos. Um forte abraço.

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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Fotos do programa Esporte na Rede, com Cleiton Monteiro

Ontem o programa Esporte na Rede recebeu Cleiton Monteiro, técnico de futebol e futsal paraolímpico (jogadores com deficiência intelectual) do Corinthians e da Seleção Brasileira. Ele falou mais detalhes sobre a modalidade e destacou o título mundial conquistado pelo Brasil na Grécia. Falou ainda sobre o primeiro mundial para deficientes com Síndrome de Down, que vai ser realizado no Guarujá, ainda este ano.

Também falamos de Copa Libertadores e Copa do Brasil, além do Brasileirão da Série A. O ER vai ao ar toda terça-feira, AO VIVO, às 20h, pela UPTV (www.uptv.com.br). Veja abaixo as fotos e o programa na íntegra. Um forte abraço.

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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Grandes emissoras provam que a web TV ainda vai "pegar" no Brasil


A Eurocopa 2012, maior competição de seleções do futebol europeu, é transmitida pela Band, na TV aberta, e pelo SporTV, na TV por assinatura. Os jogos acontecem às 13h e às 15h45, todos os dias. Como o horário é pouco usual para transmissões esportivas durante a semana, o SporTV, com inteligência, resolveu transmitir os jogos também pelo site globoesporte.com.

De volta à grade da Rede Record, o programa Cidade Alerta, exibido às 17h, também é simultaneamente transmitido pelo site R7. Tanto os jogos da Euro 2012 como o programa policial apresentam boa audiência nos sites de suas emissoras e geram comentários positivos nas redes sociais.

Isso prova que a web TV tem um futuro promissor no Brasil, diferentemente do que pensa a maioria dos empresários tupiniquins. O que dificulta o real crescimento das web TVs por estas bandas é o excesso de oferta de canais, o amadorismo (falta de profissionalismo) e o pouco cuidado técnico e plástico com a programação.

Arrisco-me a dizer que deve haver mais de mil canais pela internet espalhados pelo Brasil. Um pacote completo de tv a cabo não chega a ter 200. Ou seja, a oferta é muito generosa e gratuita. Como então filtrar o que realmente presta e assistir a um canal web de qualidade?

Os canais web serão levados mais a sério quando houver algum tipo de lei do Ministério das Comunicações que regulamente a quantidade de emissoras web que poderão existir em território nacional e também que disponha sobre seu aparato técnico mínimo para ir ao ar. Por exemplo, tamanho mínimo de estúdio, número mínimo de câmeras, etc.

Para filtrar bem o que assistir, procure emissoras pioneiras na internet. Dê preferência às que trabalham com conteúdos próprios e originais e que não apenas reproduzem vídeos que você encontra nos sites específicos para esse fim.

Prefira as emissoras que apresentem melhor qualidade de som e imagem e as que tenham uma grade diversificada de programação, com cenários específicos para cada atração. Enquanto esse tipo de detalhamento e profissionalismo não chegar às emissoras por internet, os olhares comerciais para elas sempre serão de desdém.

Algumas emissoras locais de TV fechada (a cabo), por possuírem menor expressão, já apostam na transmissão simultânea de seus programas pela internet para alongar o alcance. Assim, quem não é assinante pode acompanhar normalmente tal programação. Hoje, as informações são globalizadas. Logo, não há sentido em "esconder" as produções dos canais fechados, ainda mais dos de pequeno porte.

Por fim, acredito que, em um médio espaço de tempo (entre 8 e 10 anos), as emissoras web vão melhorar seus conteúdos, disponibilizar programações interessantes e contratar profissionais de gabarito para o comando das atrações. Não sei se serão um sucesso absoluto, mas farão, com certeza, muito mais barulho do que fazem hoje. Um forte abraço.

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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Os dez anos da morte de Tim Lopes e os limites do jornalismo



Tim Lopes (foto) foi homenageado postumamente pela Rede Globo com uma placa na redação da emissora carioca. Em 2002, o jornalista foi torturado e assassinado por traficantes de drogas em um morro de favela do Rio de Janeiro. Tim tentava participar de um baile funk para fazer uma reportagem-denúncia sobre as atrocidades que lá ocorriam. Seu disfarce foi descoberto e ele acabou morto.

A morte de Tim Lopes foi algo tão marcante que tornou-se um "case" nas aulas de jornalismo de praticamente todas as faculdades do país. A reflexão que o fato levantou é: até onde o jornalista pode ir numa reportagem?

Sempre disse que sou a favor de câmeras escondidas para denúncias de irregularidades, crimes, desvio de verba pública, corrupção na política, etc. A missão de um jornalista é informar, fiscalizar e denunciar atos contra lei. Para isso, é preciso uma certa dose de ousadia, que envolve disfarces, situações perigosas e até ameaçadoras.

Até aí, tudo bem. O grande problema é quando isso ultrapassa os limites do bom senso e a reportagem ousada torna-se uma ameaça à vida humana. O jornalista que cobre a editoria de polícia, por exemplo, sabe que lida com nitroglicerina pura. De repente, uma ocorrência comum pode virar algo dramático e assustador. Ou seja, o clima de perigo e ameaça é constante.

Esse repórter tem consciência de que, eventualmente, pode ser vítima de uma fatalidade. Na verdade, todos nós podemos sofrer uma fatalidade. Mas o repórter de polícia tem uma porcentagem maior de que isso possa acontecer. O mesmo vale para o repórter que cobre guerras em faixas de conflito armado.

Esse jornalista deve ter cuidado redobrado e saber até que ponto ele pode desenvolver determinada reportagem. Operações em que a polícia estoura cativeiros ou invade morros é sempre algo complicado. As trocas de tiros são frequentes. Numa dessas, um cinegrafista Gelson Domingos, da TV Bandeirantes, foi morto num tiroteio.

É preciso cautela. Repórteres e editores devem avaliar e reavaliar a importância da reportagem e se mesmo necessária a presença da equipe no local em que a polícia deve atuar. Estar no olho do furacão pode ser letal. Segundo notícias da época, Tim Lopes estava no morro por conta própria, o que é ainda pior. Ele não devia ter noção do risco que corria. Ou então já não temia mais nada mesmo.

Segundo Freud, o pai da psicanálise, todos nós temos uma batalha interior. Eros versus Thanatos. Eros é o instinto de defesa da vida, da sobrevivência. E Thanatos é o impulso que temos pela morte, para acalmar nossas inquietações e, assim, atingirmos o equilíbrio eterno.

Creio que a vida seja um dom divino. Logo, o impulso à vida sempre vem em primeiro lugar. Tanto é que, quando atiram algum objeto em sua direção, o primeiro reflexo que você tem, quase que involuntário, é defender-se, colocando o braço à frente.

Quem preserva a vida sabe que a reportagem tem limite. Repórter não é policial nem investigador de polícia para tentar desvendar crimes o tempo todo. Vez ou outra, isso acontece sim. E vira furo de reportagem. Mas, na maioria absoluta das vezes, isso é trabalho da polícia. Jornalista não anda armado e não é o gravador, a câmera ou a máquina fotográfica que vão defendê-lo de um ataque.

Jornalista também não é super-herói. Não tem poderes ilimitados nem é invencível. Por isso, dez anos depois, a morte de Tim Lopes ainda é tão discutida em universidades. Emblemática que foi, leva à reflexão sobre a relevância de uma reportagem e o modo que o jornalista deve seguir para confeccioná-la.

Muitas vezes, o sensacionalismo leva ao exagero na busca de pautas sangrentas, com crimes perversos. O limite é sempre o do bom senso. Minha profissão é muito importante e a amo de coração, mas amo muito mais o dom da vida que recebi. Pense nisso. Um forte abraço.

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Fotos do programa Esporte na Rede, com Alberto Rigolo

Ontem, o programa Esporte na Rede recebeu o ex-técnico da Seleção Brasileira Masculina de Handebol, Alberto Rigolo. Ele traçou um panorama deste esporte no Brasil e também comentou sobre futebol. Mais do que isso, ele ainda ofereceu uma camisa de jogo e um agasalho da Metodista São Bernardo para promoção com os teleinternautas.

Foi um excelente programa! Confira o vídeo na íntegra e as fotos abaixo. O ER vai ao ar toda terça-feira, AO VIVO, às 20h, pela emissora web UPTV (www.uptv.com.br). Participe com a gente em tempo real! Um forte abraço.

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segunda-feira, 4 de junho de 2012

A homenagem ao locutor Osmar Santos no programa Esporte na Rede



Hoje, quero pedir licença ao amigo leitor deste blog para, em vez de falar sobre jornalismo, fazer uma homenagem a um dos maiores locutores esportivos deste país: Osmar Santos. Este ano, Osmar veio ao programa Esporte na Rede, atração que apresento na emisora web UPTV (www.uptv.com.br), toda terça-feira, AO VIVO, às 20h.

Ao final de uma hora de um gostoso bate-papo, declamei o texto abaixo, que eu mesmo fiz para homenagear a presença do "Garotinho" em nossos estúdios. Depois do texto, está o programa na íntegra. Mas a declamação foi pouco antes do encerramento.

Publico aqui esta singela demonstração de carinho, que carrega em suas linhas vários bordões que Osmar usava quando era locutor. Figura carismática e simpática, é merecedor de todos os elogios e predicados que lhe foram dados até hoje. Por isso, o texto abaixo está escrito da forma como esse monstro da narração merece: em letras garrafais. Um forte abraço.

DIZEM COM TODA RAZÃO QUE, NO RÁDIO, O FUTEBOL TEM MAIS EMOÇÃO QUE NA TV.
PARA SER NARRADOR DE RÁDIO É PRECISO IMAGINAÇÃO, FÔLEGO, ALEGRIA, TALENTO.
É UM DOM.
É PRECISO MOSTRAR AO OUVINTE O QUE ACONTECE EM CAMPO SEM A AJUDA DA IMAGEM.
É PRECISO ENTRETER E MANTER A AUDIÊNCIA QUANDO O JOGO FICA CHATO.
COM OSMAR SANTOS, UM JOGO NUNCA ERA CHATO.
EM SUA VOZ DE TONALIDADE ÍMPAR, A BOLA VIROU GORDUCHINHA.
REDONDA COMO O PLANETA TERRA, ELA RECEBIA UM "PIMBA" E PASSAVA DE PÉ EM PÉ, NUM BOLE-BOLE DANADO.
OSMAR FOI UM ANIMAL DA NARRAÇÃO ESPORTIVA. CRACAÇO, NARRADORZAÇO.
ELE DIZIA, "CORRE GAROTINHO QUE O PLACAR NÃO É TEU". E, DE FATO, NUNCA SERIA.
O PLACAR SEMPRE FOI DELE, DE OSMAR E DE MAIS NINGUÉM.
COM ELE, A GORDUCHINHA SEMPRE BALANÇOU A REDE PELO LADO DE DENTRO.
DIZEM QUE OS JORNALISTAS ESPORTIVOS SÃO RASOS, SEM CULTURA GERAL.
À FRENTE DE SEU TEMPO, OSMAR FOI NA CONTRAMÃO. A CULTURA NÃO FOI GERAL. FOI GENIAL.
TEM TRÊS FACULDADES NO CURRÍCULO, MILHARES DE GOLS NARRADOS E MILHÕES DE FÃS.
CERTA VEZ, A VIDA DANÇOU COM OSMAR UM PRA LÁ E DOIS PRA CÁ.
TIROU DELE O DOM QUE O TORNOU FAMOSO.
MAS COM UM RIPA NA CHULIPA, ELE DEU A VOLTA POR CIMA.
BOA, GAROTO!
ELE MOSTROU QUE, ILUMINADO COMO É, NÃO TEM APENAS UM DOM.
HOJE OSMAR TAMBÉM É ARTISTA PLÁSTICO. PINTA BELOS QUADROS.
MAS SEJA DE QUE NATUREZA FOR, OSMAR SEMPRE SERÁ ARTISTA.
UM ARTISTA QUE DRIBLA TODOS OS OBSTÁCULOS QUE A VIDA IMPÕE.
DRIBLA UM, LIMPA MAIS DOIS, PASSA POR MAIS TRÊS, E QUANDO A VIDA VEM PRA DAR O CARRINHO POR TRÁS E FAZER A FALTA MORTAL, ELE DÁ UM PIMBA NA GORDUCHINHA, FAZ CHIROLIROLÁ CHIROLIROLI E MARCA. E QUE GOOOOLLL!
GOL DO ANIMAL, DO GAROTINHO QUE VIROU PAI. O PAI DA MATÉRIA!
GOL DE CRAQUE, GOL DE QUEM SABE. GOL COM A ASSINATURA DE OSMAR SANTOS.
OBRIGADO POR TER VINDO HOJE AO ESPORTE NA REDE!

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sábado, 2 de junho de 2012

O jornalista deve sempre falar a "língua" do entrevistado



Existem diversas técnicas para a realização de uma boa entrevista. Para que o trabalho saia a contento, é preciso que o jornalista informe-se minimamente sobre a fonte a ser entrevistada, seja por telefone ou conversando com ela minutos antes da gravação das declarações. Tal procedimento é válido para qualquer fonte, da mais baixa à mais alta classe social.

Para que a entrevista seja bem feita, também é fundamental que a fonte sinta-se à vontade. Assim, a qualidade, a naturalidade e a espontaneidade das declarações permitirão que a reportagem não soe falsa (forçada) ou em tom de simulação.

Para isso, é preciso que o jornalista tenha habilidade para deixar o entrevistado tranquilo frente às câmeras. Seja com conversas sobre amenidades e temas cotidianos no início da entrevista, seja porque ele fala a "língua" do seu entrevistado.

Quando digo "língua", não quero dizer idioma, obviamente. Mas sim, à maneira como o jornalista se relaciona com sua fonte. Suponhamos que o repórter esteja fazendo uma reportagem sobre a pacificação das favelas do Rio de Janeiro. Um dos entrevistados é um morador local.

Quando for realizar a entrevista, o repórter não pode dirigir-se ao morador da mesma forma que faria com um diretor de empresa multinacional. Com o diretor, a linguagem a ser usada seria  mais culta e formal (até porque o diretor tem instrução suficiente para entender perguntas formuladas de maneira mais rebuscada).

Com o morador, o repórter pode usar uma linguagem mais coloquial, até mesmo com gírias conhecidas para aproximar-se da fonte e, assim, ganhar-lhe a confiança. Claro, este procedimento só pode ser feito em entrevistas gravadas, uma vez que a pergunta do repórter (com a gíria) pode ser cortada na edição. Em entrevistas ao vivo, a recomendação é a prática da coloquialidade, sem no entanto o uso de tais gírias ou termos muito rasos ou até chulos.

A maneira como o jornalista se expressa diante da fonte também é importante. O entrevistado sempre observa se o "jeitão" do jornalista é mais "largado" ou mais formal, independemente do terno e da gravata.

Quando o jornalista fala a "língua" de qualquer entrevistado, o trabalho flui muito melhor. É até uma arma de persuasão para quem não gosta de falar diantes das câmeras. O entrevistado sente-se mais calmo, tranquilo e enxerga no jornalista alguém familiar, que sabe conversar com ele no mesmo patamar.

A regra vale para todo e qualquer tipo de entrevistado. Homens ou mulheres de vários cargos, credos, religiões, raças e profissões. É o que fazem os grandes entrevistadores como Marília Gabriela e Jô Soares em seus "talk shows". Nessas horas, o jornalista deve ser um camaleão e se adaptar a toda e qualquer situação. Com certeza, a qualidade da reportagem e da informação será muito melhor. Um forte abraço.

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quinta-feira, 31 de maio de 2012

O jornalismo deve ser desprovido de preconceitos

No último domingo, fui cobrir a sétima edição da Parada Gay em Guarulhos. O jornalismo deve ser desprovido de preconceitos e defender todas as causas que contribuem para uma sociedade mais igual e humana. Até porque, durante a carreira, o jornalista vai entrevistar pessoas de todas as raças, credos, crenças, religiões, idades, biótipos físicos, profissões e orientações sexuais.

O pessoal estava bem animado e o evento foi considerado um sucesso pela organização. Pelos números oficiais, cerca de 75 mil pessoas prestigiaram o acontecimento. Quero aproveitar este post para também abordar um aspecto técnico na execução de reportagens deste tipo.

Havia quatro enormes carretas de som no local e o barulho era muito intenso, o que "estourava" nosso áudio e nos atrapalhava na hora de coletar as entrevistas. É ruim porque o entrevistado não consegue ouvir sua pergunta com precisão e nem o jornalista ouvir as respostas. Além disso, o barulho ensurdecedor prejudica o raciocínio.

Mas vale a pena assistir. Pela causa, pelas pessoas extremamente simpáticas que nos concederam entrevistas e pelo desafio da cobertura de mais um grande evento. Acompanhe o vídeo abaixo. Um forte abraço.

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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Programa Esporte na Rede é capa de jornal da Grande São Paulo



O programa Esporte na Rede, exibido pela UPTV, vem mesmo crescendo a cada semana. A atração vai ao ar pela emissora web no site www.uptv.com.br toda terça-feira, AO VIVO, às 20h. Com convidados de peso do meio esportivo toda semana, a atração alcançou grandes índices de audiência.

Este é o principal motivo pelo qual virou matéria de capa do Jornal Opção, distribuído gratuitamente na Grande São Paulo. A reportagem fala sobre a facilidade de assistir o programa na internet, em qualquer lugar do Brasil e do mundo. Por isso, intitularam o ER como "um programa de esportes sem limites".

Quero agradecer a toda equipe que faz o programa comigo e permite que nosso sonho se torne realidade semanalmente. Realmente, senti que o ER mudou de patamar, ontem, na festa de 4 anos da UPTV, no Bar Giramundo, em Santo André. Várias pessoas vieram falar comigo, que assistem à atração e que é um excelente programa.

Divido os louros com minha equipe fantástica (foto mais abaixo). Da esquerda para a direita estão: 1ª linha: Eu (Leandro Martins), a co-apresentadora Luciane Bruno e os comentaristas Bruno Gonçalves e Alexandre Aníbal. 2ª linha: o comentarista Paulo Arnaldo Lima, o coordenador de redes sociais Marco Antonio Ribeiro, o cinegrafista Marco Antonio Joares (popular Gepeto) e a diretora de imagens Andressa Rivas. 3ª linha: o cinegrafista Davi Martins e a diretora geral da UPTV Liliana Gonçalves.

Meu muito obrigado a todos eles, que me ajudam a levar um programa esportivo de excelente qualidade aos lares onde moram apaixonados e fanáticos por esporte. Até agora, são quase 120 edições. Só de 2011 para cá, passaram pelo ER 32 convidados.

Prova de que estamos certamente no caminho do sucesso e do reconhecimento profissional. Orgulho-me demais em fazer parte deste time que é uma verdadeira seleção brasileira da TV por internet. Por isso nosso slogan faz tanto sentido: Esporte na Rede! Análise Esportiva de Qualidade! Um forte abraço.

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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Manter a concentração é fundamental durante um programa de TV



Costumo dizer para amigos e estudantes de jornalismo que manter a concentração é fundamental durante um programa de televisão. Mesmo assim, por mais que você não queira, vez ou outra acaba errando. Num programa gravado, é fácil de esconder o equívoco, mas em atrações ao vivo o buraco é mais embaixo.

Há uma semana, assisti ao telejornal Bom Dia Brasil, da TV Globo, quando ouvi uma gafe destas. Em uma determinada reportagem sobre um acidente de carro, a narração dizia que o motorista que causou o transtorno tinha 32 anos.

Quando a matéria terminou e a imagem voltou para o estúdio, a jornalista Renata Vasconcellos (foto) comentou: "Que pena. Mais um acidente envolvendo um jovem de vinte e poucos anos...". Para muitos telespectadores, o equívoco passou despercebido. Mas para quem presta atenção ao texto das reportagens, notou a gafe.

Concentração é a palavra de ordem na televisão. Quanto maior a concentração, menores as chances de cometer erros. Alguns, passam impunes, como este. Mas outros podem causar demissões, como o jornalista errar a leitura da lauda do jornal, caso o TP (teleprompter) apresente problemas.

Hoje, no programa Esporte na Rede, o qual apresento pela UPTV (www.uptv.com.br), sempre exijo a concentração da minha equipe, principalmente na exibição de vídeos. NO ER, somos todos disciplinados e temos atenção ao que vai ao ar! Mas, geralmente, alguns apresentadores ou comentaristas têm o péssimo hábito de querer conversar enquanto o vídeo está no ar.

A atitude, além de ser uma falta de respeito com os convidados, tira a concentração da equipe. Só é permitido conversar durante a exibição de um vídeo quando é preciso corrigir algum problema técnico no estúdio (troca de um microfone, por exemplo) ou no conteúdo do programa. No mais, atenção e bico calado.

A medida também serve para conter aqueles inoportunos ataques de riso ou as crises de espirros e de soluços. O importante é ter em mente que, são pequenos atos (de boa educação, inclusive) como estes, que impedem que erros bobos aconteçam diante das câmeras e manchem a reputação do jornalista. Um forte abraço.

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sexta-feira, 25 de maio de 2012

O que fazer quando o colega o coloca em uma fria?



Em televisão, principalmente em transmissões ao vivo, algumas saias justas são inevitáveis. Gafes cometidas, falha de sinal, corte errado do diretor de imagem são os tropeços mais comuns. Normalmente, não há como prever estes transtornos.

Mas existe uma saia justa em particular que pode ser evitada. É quando o próprio colega de trabalho o deixa em uma fria. Seja por desconhecimento ou por falta de combinação prévia entre os jornalistas sobre o que seria falado no ar.

Na segunda-feira passada, presenciei uma destas saias justas no jornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo. Um dos âncoras é Chico Pinheiro (na foto, à esquerda), mineiro e atleticano de coração. No domingo, havia ocorrido a primeira rodada do Campeonato Brasileiro, evento do qual a emissora detém os direitos de exclusividade.

Quem comanda o quadro de esportes no jornal é Luís Ernesto Lacombe (na foto, à direita). O Atlético Mineiro havia batido a Ponte Preta, em Campinas, por um a zero. O jogo foi bem mais ou menos. Aí, Lacombe, sabendo que Chico é atleticano, indaga o apresentador: "Chico, seu Atlético ganhou. Você viu o jogo?".

Chico, todo sem jeito e gaguejando, respondeu: "Vi sim... Foi uma partida muito bonita". Para quem entende de futebol e viu o jogo entre Ponte Preta e Atlético-MG, sabe que Chico obviamente não assistiu à peleja.

Chico foi posto em uma fria por Lacombe. O âncora disse que viu o jogo por duas razões. Primeira: que raio de atleticano ele seria se não tivesse visto o jogo, já que sempre defende seu time na TV? Segunda: como o campeonato pertence à emissora para a qual trabalha, seria muito ruim admitir que não viu a partida. Soaria como um desprestígio ao evento exclusivo da Globo.

Porém, a gafe foi visível, uma vez que Chico ficou totalmente embaraçado e sem saber o que dizer. Ficou claro que Chico e Lacombe não haviam combinado nada fora do ar, o que ocasionou na pergunta desastrosa do repórter esportivo ao âncora do jornal. Não sei se aconteceu alguma conversa nos bastidores após o ocorrido, mas que foi algo desagradável, isso foi.

No lugar de Chico, eu diria que não assisti à partida, pois estava em um compromisso na hora do jogo. Seria uma saída menos traumática e mais honesta. A emenda ficou bem pior do que o soneto. Mas a lição que fica é: as conversas antes do programa são necessárias para que situações fora do combinado não pegue os protagonistas da atração de surpresa. TV é produção. E produção é detalhe, como diz Boni. Um forte abraço.

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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Quando o sensacionalismo passa dos seus próprios limites - o caso da repórter Mirella Cunha



A repórter Mirella Cunha (foto), do programa "Brasil Urgente Bahia", vive uma situação delicada após a repercussão negativa acerca de sua abordagem a um suspeito de crime sexual, na cidade de Salvador.

Para explicar o que aconteceu com Mirella, é bom destacarmos que, na maioria das vezes, os programas policiais (entenda sensacionalistas) pressionam demais os repórteres para conseguirem histórias horripilantes para levarem ao ar.

Via de regra, apresentadores, pauteiros e demais profissionais que realizam esses programas acabam contaminados pelo clima sangrento que envolve assassinatos, tráfico de drogas, tiroteios, etc. Assim, todos são pressionados constantemente a encontrar histórias de horror que reforcem a linha editorial da "atração".

Em busca disso, muitos profissionais acabam se perdendo e, além de tudo, confundem sensacionalismo com falta de respeito. Na realidade, o sensacionalismo em si já é uma falta de respeito com os envolvidos nas reportagens. Mas, tem gente que ainda consegue ultrapassar até mesmo este limite, que já extrapola naturalmente o bom senso, o qual deveria ser o guia do jornalismo ético, sério e correto.

Alguns dias atrás, Mirella Cunha entrevistou um rapaz suspeito de crime sexual. A reportagem tinha como "título" naquelas tarjas que ficam embaixo da tela “Chororô na delegacia: acusado de estupro alega inocência”.

A matéria foi feita na 12ª Delegacia de Itapoã, em Salvador (BA). No vídeo, "a jornalista acusa o jovem de ter tentado estuprar uma pessoa e faz piadas com o fato de o detido ter confundido exame de corpo delito com exame de próstata, além de debochar dos erros de português do rapaz". Evidentemente, o vídeo está na internet e pode ser visto abaixo.


O tom de deboche e a soberba da repórter são claros. "A coordenação do Núcleo Criminal do Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) apresentou ontem representação pedindo a adoção de medidas cabíveis contra a repórter da Band. A intenção é apurar se houve violação dos direitos constitucionais do entrevistado".

Segundo informações da Band, que repudiou o fato, a repórter foi suspensa por tempo indeterminado e pode ser demitida. No caso de Mirella, o sensacionalismo subiu à cabeça e, pelo visto corroeu seu cérebro. O rapaz estava visivelmente desesperado na delegacia e a jornalista ainda se aproveitou disso para constrangê-lo ainda mais.

Demitir a funcionária pode ser um exemplo para que outros profissionais não sigam este mesmo caminho durante a execução das reportagens. Até aí, apenas o excesso do excesso é punido, pois, como disse, estes programas já apresentam excessos em seus conteúdos rotineiros. Sensacionalismo sempre é ruim, invasivo, sangrento e constrangedor.

A atitude da repórter deveria servir não só como exemplo negativo. Deveria também estimular a reflexão e o debate sobre a existência de programas como o Brasil Urgente que, na minha opinião, são de péssimo gosto e baixíssimo nível de informação.

Isso sim é que tem de ser amplamente discutido. Será que a sociedade ainda quer ver esse tipo de coisa na TV? Aproveito e levanto uma campanha: não dê audiência a estes lixos. Mude de canal ou leia um livro. Você, amigo leitor, só tem a ganhar. Um forte abraço.

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